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Economia

NF-e ou NFC-e: qual sua empresa deve emitir

Emitir o modelo errado não gera só retrabalho: pode fazer a fiscalização reter a carga no meio da estrada.

Por · · 6 min de leitura
Impressora de cupom no balcão de uma loja emitindo nota do consumidor

Impressora de cupom no balcão de uma loja emitindo nota do consumidor

Muito empresário descobre a diferença entre NF-e e NFC-e no pior momento possível: quando o contador avisa que a nota emitida no mês inteiro era do tipo errado. A confusão é compreensível, porque as duas são notas fiscais eletrônicas, as duas passam pela Sefaz e as duas geram um documento impresso.

O que separa uma da outra é quem está do outro lado do balcão.

A regra que resolve quase todos os casos

A NF-e, modelo 55, é a nota fiscal de operações entre empresas e de vendas com entrega em outro endereço. Ela acompanha mercadoria em trânsito, serve para transporte interestadual e é exigida sempre que o comprador precisa creditar imposto.

A NFC-e, modelo 65, é a nota fiscal do consumidor final presente no estabelecimento. É o que substitui o velho cupom fiscal na padaria, na loja de roupas, no mercadinho. A entrega acontece ali mesmo, e o comprador leva a mercadoria na mão.

Cada uma gera seu próprio documento impresso. A NF-e gera o DANFE em folha inteira; a NFC-e gera o DANFE NFC-e, mais estreito, no formato de cupom. Quem precisa de uma segunda via costuma gerar DANFCE a partir do XML, sem depender do sistema que fez a venda.

Comparando as duas na prática

Diferenças entre NF-e e NFC-e
AspectoNF-e (modelo 55)NFC-e (modelo 65)
CompradorEmpresa ou consumidor com entregaConsumidor final presente
Documento impressoDANFE em folha A4DANFE NFC-e em cupom
TransporteAcompanha a mercadoriaEntrega no próprio balcão
Venda interestadualPermitidaNão se aplica
Crédito de impostoPossível para o compradorNão gera crédito
Uso típicoIndústria, atacado, e-commerceVarejo presencial

Como decidir sem errar

  1. Veja quem compra. Comprador com CNPJ que vai revender ou usar na produção pede NF-e.
  2. Veja onde a mercadoria vai. Se sai da loja em transporte, é NF-e, mesmo para pessoa física.
  3. Confira o estado. A NFC-e depende de autorização estadual, e nem todo estado adotou nas mesmas condições.
  4. Fale com a contabilidade. Regime tributário e atividade mudam a resposta em casos de fronteira.
  5. Guarde os dois XML. A obrigação de arquivar vale igual para os dois modelos.

O que acontece quando se emite o modelo errado

O caso mais comum é o varejo que emite NFC-e para uma venda com entrega. A mercadoria segue na estrada com um documento que não serve para transporte, e uma fiscalização de rota pode reter a carga.

No sentido oposto, emitir NF-e para toda venda de balcão não gera multa, mas cria trabalho desnecessário e costuma travar a fila do caixa. Existe também o efeito no cliente, que recebe uma folha inteira para comprar um pão.

O que fazer quando o sistema da Sefaz cai

Nenhum dos dois modelos depende só do sistema da empresa. Quando a Sefaz fica indisponível, a venda não precisa parar: existe o regime de contingência, previsto justamente para isso. O emissor gera o documento em modo alternativo, entrega a mercadoria e transmite o arquivo assim que o serviço volta ao ar.

A diferença prática entre os dois modelos aparece aqui. Na NF-e, a contingência costuma envolver a impressão em formulário próprio ou o uso do serviço nacional de contingência, com regras de prazo para a transmissão posterior. Na NFC-e, o caminho mais comum é a emissão offline, com transmissão automática quando a conexão retorna.

O erro que gera multa não é usar contingência, é esquecer de transmitir depois. Documento gerado em modo alternativo e nunca enviado fica pendente no sistema, e é exatamente esse tipo de pendência que aparece numa auditoria meses depois, quando ninguém mais lembra do dia em que a internet caiu.

Devolução, troca e cancelamento em cada modelo

Cancelar uma nota tem prazo, e ele é curto. Passado esse prazo, o caminho deixa de ser o cancelamento e passa a ser a emissão de uma nota de devolução, que é um documento novo, no sentido inverso da operação original. Confundir os dois é o que trava o estoque e a apuração de imposto no fim do mês.

No varejo presencial, a troca de produto costuma ser resolvida com uma nota de entrada da mercadoria devolvida e uma nova venda. Já entre empresas, a devolução exige que o comprador emita o documento correspondente, com os mesmos itens e valores da compra, para que o crédito de imposto seja desfeito corretamente dos dois lados.

Vale lembrar que a nota cancelada não some. Ela continua registrada na Sefaz com a situação alterada, e é por isso que a consulta pela chave de acesso segue sendo o jeito mais confiável de saber o que aconteceu com um documento, independentemente do modelo que foi emitido.

E quando a empresa vende serviço junto com a mercadoria

Existe um terceiro documento que a dúvida entre os dois modelos costuma esconder: a nota fiscal de serviço, que é municipal e não passa pela Sefaz estadual. Oficina que troca uma peça e cobra a mão de obra, gráfica que imprime sob encomenda e assistência técnica vivem nessa fronteira.

A regra que orienta a maioria dos casos é separar o que é fornecimento de mercadoria do que é prestação de serviço, porque o imposto que incide sobre cada parte é diferente e é recolhido para entes distintos. Em muitas atividades, a solução acaba sendo emitir dois documentos para a mesma ordem de serviço.

Como a lista de serviços e as regras municipais variam bastante, esse é o ponto em que a conversa com a contabilidade deixa de ser recomendação e vira necessidade. Errar aqui não gera só retrabalho: gera recolhimento de imposto para o lugar errado, o que é bem mais chato de desfazer.

Perguntas frequentes sobre NF-e e NFC-e

Uma empresa pode emitir os dois modelos?

Pode, e é o mais comum no varejo que também vende para outras empresas. Basta ter as duas autorizações ativas na Sefaz do estado.

NFC-e vale para venda pela internet?

Não. Venda com entrega em outro endereço exige NF-e, porque a mercadoria vai circular.

O cupom do NFC-e precisa ser entregue impresso?

A maioria dos estados aceita envio por e-mail ou por QR Code, desde que o consumidor concorde. A regra específica varia.

Preciso de certificado digital para os dois?

Sim. Tanto a NF-e quanto a NFC-e são assinadas digitalmente antes de irem para a Sefaz.

Vendi no balcão mas o cliente pediu para entregar. Muda o modelo?

Muda. Havendo transporte da mercadoria, a operação pede NF-e, mesmo que a venda tenha começado presencial.

O que acontece se eu emitir o modelo errado e perceber depois?

Dentro do prazo, cancela-se e emite-se o correto. Fora do prazo, o caminho passa a ser a nota de devolução.

Resumo

NF-e é para operação entre empresas e para venda com transporte; NFC-e é para o consumidor final que leva a mercadoria do balcão. O erro caro é usar NFC-e em venda com entrega, porque o documento não acompanha carga. Cada modelo gera seu próprio impresso, e o XML dos dois precisa ser guardado.

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